31 março, 2008
nuvem negra
A postura de Leroy, director do Visa pour l'Image, um dos mais importantes festivais de fotojornalismo do mundo, foi partilhada pelos restantes membros do júri Susan Smith, Iuri Kozirev, Philip Blenkinsop e Noel Quidu.
"As revistas querem mais fotos por menos. Mas não se pode fazer uma boa reportagem num dia, como é cada vez mais exigido, é preciso esperar, às vezes é preciso esperar muito para apanhar os momentos certos", disse Jean-François Leroy para quem as publicações estão agora mais interessadas em publicar retratos de celebridades. "Dizem que não têm dinheiro, mas não é verdade, porque pagam muito bem por fotografias de celebridades como o George Clooney, mas não querem saber da Tchetchénia", criticou.
Leroy foi também questionado sobre a venda de fotografias classificadas como fotojornalísticas em galerias. A resposta foi esta: "Não concordo. O fotojornalismo não é feito para galerias. É perverso vender fotografias com pessoas a sofrer e é obsceno comprá-las. Primeiro que tudo somos jornalistas, não somos artistas, e trabalhamos para a imprensa, não trabalhamos para galerias".
Os trabalhos vencedores da edição deste ano serão anunciados na quinta-feira, às 18h30, no Museu da Electricidade. No sábado, às 16h30, no mesmo espaço, os membros do júri participarão numa conferência sobre Fotojornalismo.
Portugal no PHE08 lá e cá
30 março, 2008
pronta a disparar
A Hasselblad lançou uma nova revista de fotografia, a Victor, que promete "fazer a diferença" no mercado das publicações especializadas. O site da Victor, que será publicada trimestralmente, tem um resumo dos temas do último número e pode ser visto aqui.
28 março, 2008
Polaroid - fim da linha?

Não era nada que não estivéssemos à espera, mas agora parece que é de vez: a Polaroid anunciou no mês passado que vai deixar de fabricar quase todos os tipos de filmes para fotografias instantâneas. Vão fechar fábricas nos EUA, México e Holanda. Para esta decisão, a empresa alega "condições de mercado", que é como quem diz que as vendas baixaram a um ponto que se tornou insustentável a produção dos filmes de fotografia do tipo "já está!".
Há cerca de um ano, tinha sido abandonada a produção das máquinas Polaroid, um sinal de declínio acentuado com a preferência da maioria dos consumidores por aparelhos digitais que deram outro significado (e outro mercado) à instantaneidade fotográfica. É precisamente aqui - no digital - que a empresa joga os trunfos que lhe restam fazendo impressoras portáteis para telemóveis e novas máquinas digitais. Colada a esta decisão surge outra que abre uma nesga de esperança à continuidade dos tradicionais filmes - se outra empresa estiver interessada em fabricar os cartuchos instantâneos a Polaroid estudará a venda da licença.
Fundada em 1937 por Edwin Land, a Polaroid começou por fazer lentes polarizadas com aplicações científicas. A primeira máquina capaz de produzir fotografias instantâneas foi posta no mercado em 1948. No início dos anos 90, no auge do sucesso, chegou a facturar 3 mil milhões de dólares. Mas "o cancro do digital", como alguns lhe chamam, veio mudar radicalmente as regras do jogo, tal qual a própria Polaroid o fizera em meados do século passado, quando protagonizou uma lufada de ar fresco no mercado da fotografia e uma nova maneira de encarar o suporte e o acto fotográficos. Em 2001, a empresa declarou bancarrota e foi comprada por uma empresa do Minnesota, a Petters Group Worldwide, que afirma ter um stock de filmes que durará até 2009.
Depois deste anúncio, começaram a organizar-se vários grupos que tentam travar a morte do "conceito Polaroid" tal qual o conhecemos. O movimento Save Polaroid é um deles e pode ser visto aqui.
Este artigo da revista Wired de Janeiro de 2001 (dez meses antes da bancarrota) traçava um futuro risonho para a Polaroid.
O artigo que fez capa da Time em 1972 (Polaroid's Big Gamble on Small Cameras) está aqui.
fotografiafalada
(Augusto Brázio, P2, Público, 19.02.2008)
INEM, 25 anos
Augusto Brázio (fotografias) e Rita Garcia (textos)
ed. Instituto Nacional de Emergência Médica, 2008
27 março, 2008
graciela
O júri deste ano justificou a atribuição do prémio assim:
"Graciela Iturbide is considered one of the most important and influential Latin American photographers of the past four decades. Her photography is of the highest visual strength and beauty. Graciela Iturbide has developed a photographic style based on her strong interest in culture, ritual and everyday life in her native Mexico and other countries. Iturbide has extended the concept of documentary photography, to explore the relationships between man and nature, the individual and the cultural, the real and the psychological. She continues to inspire a younger generation of photographers in Latin America and beyond."
Graciela Iturbide começou por fazer fotografia documental e, pouco a pouco, foi introduzindo detalhes surrealistas aos seus trabalhos. Passou depois para paisagens geométricas e abstractas. Os seus últimos projectos são "uma síntese poética" destas duas tendências, refere o comunicado de imprensa divulgado pela Hasselblad Foundation. "Iturbide criou uma iconografia forte e pessoal com os seus auto-retratos, representações de plantas e pássaros. Poesia visual e magia andam juntas em todo o seu corpo de trabalho fornecendo uma forte ligação entre as suas preocupações pessoais e uma realidade mais ampla. Iturbide usa símbolos especificamente relacionados com a geografia da América Latina para falar de temas sociais universais, como a morte e a vida. Cria fotografia em forma de cerimónia pessoal e de uma maneira muito convidativa", diz o mesmo texto.
O prémio e a medalha de ouro serão entregues em Gotemburgo, na Suécia, no dia 25 de Novembro, dia em que inaugura uma nova exposição do trabalho de Graciela Iturbide no Hasselblad Center, na mesma cidade.
Para ver um vídeo sobre a atribuição do prémio a Iturbide clique aqui.
Álbuns seleccionados:
#Los Que Viven en la Arena (Those Who Live in the Sand), 1981;
#Sueños de Papel (Dreams of Paper), 1985;
#Juchitán de las Mujeres (The Women of Juchitán), 1989;
#En el Nombre del Padre (In the Name of the Father), 1993;
#Images of the Spirit, 1996;
#La Forma y la Memoria (Form and Memory) 1996;
#Graciela Iturbide, 2002;
#Pájaros (Birds), 2002;
#India México, 2002;
#Naturata, 2004;
#Eyes to Fly With, 2006;
#Roma (Rome), 2007;
#Juchitán, 2007.
“entre aspas”
“A Pop Art foi, por assim dizer, a tomada de consciência tardia de um fenómeno que a precedeu e vastamente ultrapassou: a cultura de massas de índole tecnológica. Terão sido a banal Kodak do senhor Eastman, o relato radiofónico de Orson Welles, o cinema ciclópico de Hollywood, o automóvel privado e as autoestradas de Henry Ford e, em geral, a cultura da mobilidade estética permanente, mais do que a crise das Belas Artes, que melhor carecterizam a chamada 'cultura contemporânea' ao longo dos últimos 80 anos.”
António Cerveira Pinto, Arte de base cognitiva - O Fim da Tecnologia, in Parq, 01.02.2008
20 março, 2008
Philip Jones Griffiths (1936 - 2008)
Um dos seus trabalhos mais marcantes foi publicado no livro Vietnam Inc. (1971), tido por muitos como a mais detalhada e importante obra sobre o conflito e uma das razões que levaram os americanos a voltarem-se contra a guerra. "Se alguém em Washington tivesse visto aquele livro, nós não teríamos guerras no Iraque ou no Afeganistão", disse Noam Chomsky sobre Vietnam Inc..
Jones Griffiths nasceu em Rhuddlan, no país de Gales, e estudou farmácia em Liverpool. O jornal inglês The Guardian estampou os seus primeiros trabalhos como fotojornalista free lancer. Mais tarde, decidiu dedicar-se a tempo inteiro à fotografia e arranjou trabalho no jornal The Observer. Cobriu conflitos na Argélia, na África Central, na Ásia e no Médio Oriente.
Griffiths, um pacifista apaixonado que se opunha aos conflitos armados, nunca se considerou um tradicional fotógrafo de guerra.
Para ver uma entrevista de Philip Jones Griffiths ao sítio Musarium clique aqui.
Para ver uma fotogaleria preparada pela Magnum In Motion clique aqui.
Reacções
"A giant passes away"
Jonas Bendiksen
"We mourn Philip, a great man of grand contradictions: a warrior against war a compassionate cynic a shooter with no guns a militant pacifist an agnostic believer a tender bully an amoral moralist a rough giant with a soft heart a man of love and sarcasm a fighter of invincible illness now dead but so very much alive"
Thomas and Christine Hoepker
"...a giant man and photographer..."
Paolo Pellegrin
"Philip enriched all our lives with his courage, his empathy, his passion, his wit and his wisdom; and for many he gave to photojournalism its moral soul."
Stuart Franklin
/uma fotografia, um nome\
Também a fotografia estabelece uma relação de substituição com o que já passou, suspendendo o tempo. Associa-se, assim, mais a uma comemoração do que a uma representação: fixa o tempo e celebra o efémero.
O tempo hoje tornou-se mais complicado; os cientistas separam a Óptica ondulatória da Óptica geométrica aquela em que vivemos, tempo de curtas durações, do electro-magnetismo e da gravidade. Mas a prática fotográfica mexe com as duas, porque a luz é o tempo e com a fotografia instantânea interrompe-se o fluxo – cosmogónico – de luz de longa duração.
O tempo fotográfico é um tempo que se expõe, um tempo de superfície, que é o do fotógrafo, na sua ânsia de capturar o tempo da sua vivência, (tempo vivo), que deixará a sua ferida, a sua marca, na imagem. Mas o tempo da tomada de vistas é o tempo-luz, com a frequência de onda portadora dos fotões. O fotógrafo reage com duas operações psicológicas ligadas ao corte/captura da imagem no tempo e com uma participação empática com o tempo do mundo. A explicação pode ser científica, mas o sentimento toca o sagrado, bem expresso nas palavras, comuns na disciplina, de “banho de revelação”, “placa sensível” e, nomeadamente, “revelação”.
A imagem fotográfica, - uma imagem fotográfica como esta de João Pinto de Sousa, - coloca-nos uma série de reflexões. A jovem, (que supomos ser jovem, porque apenas vemos uma fracção da realidade captada que enche o plano total da fotografia), em equilíbrio dinâmico, é mostrada sem estratégias fotográficas que sugiram o movimento. Mas no seu estaticismo de imagem parada é, na realidade, puro movimento: basta verificar o modo como a posição do pé e a relação do corpo com a figura o assegura. Não vemos, mas reconhecemos o movimento: a imagem capturou o tempo, que é, afinal, a forma da matéria em movimento.
E a língua latina, de novo: o pé calçado é o punctum que nos fere na imagem, e é o seu próprio pulsar. Punctum, (termo latino) e trauma, (termo grego) significam o mesmo, ferimento, rasgão na pele. Roland Barthes usou o acutilante do latim para traduzir a fulguração onde se inscreve a sedução de uma imagem que nos atinge e nos atrai. Pecando por uma aflitiva instabilidade funcional, o elegante pé calçado peca também por excesso: destoa da sobriedade rigorosa do conjunto de vestuário. O tacão, demasiado alto, demasiado estreito, é um desafio, o requinte da decoração é uma inconsequência, uma contradição: é um punctum.
O punctum é um detalhe, um objecto parcial, uma ferida que traz consigo uma carga emocional e surge numa dobra da percepção consciente, investindo-lhe um sentimento. Atribui-se-lhe, pois, um afecto. De resto, sabe-se bem como o olhar se estrutura no desejo, o olhar é um impulso, não apenas um receber. E quando não sabemos dar significado a detalhes enigmáticos tentamos entendê-los pelo imaginário. O punctum na imagem de João Pinto de Sousa pode representar um quiasma, que é também um termo médico e significa sempre aquele lugar interrogativo, que marcamos com uma cruz.
Também por tudo isto a fotografia é uma máquina do tempo. Na cultura tecnológica, que permite esta imagem online, o espaço é espaço de tempo. Por vezes, como nesta imagem, a dinâmica do espaço e do tempo, (e apenas porque receamos o desastre circunscrito naquele pedal em dia de festa) ultrapassa-nos mas infiltra-se. Nós somos tocados pelo tempo, o que as imagens fotográficas não deixam de nos lembrar. Por isso materializamos o tempo em relógios e fotografias.”
Maria do Carmo Serén
João Pinto de Sousa
Cirurgião, professor universitário e fotógrafo amador
18 março, 2008
dar

A revista Photographies, publicada pela Routledge, lançou um novo número e está a oferecê-lo aos leitores que enviarem um mail para jennifer.roberts@tandf.co.uk
O sumário dos ensaios oferecidos nesta edição é este:
#A Life More Photographic - Maping the networked image
(Daniel Rubinstein e Katrina Sluis)
#Remediations - Or, when a boring photograph not a boring photograph
(Gail Baylis)
#Archival Value - On photography, materialy and indexicality
(Nina Lager Vestberg)
#Blessed be the Photograph - Tourism choreographies
(Juha Suonpaa)
#Traumatic Images
(Jessica Catherine Lieberman)
#Digital Imaging Goes to War - The Abu Ghraib photographs
(André Gunthert)
17 março, 2008
sair do frigorífico
Moda Lisboa(© Rui Gaudêncio)
O fotojornalista do Público Rui Gaudêncio passou quatro dias nos bastidores da última Moda Lisboa a acompanhar duas estreantes da passerelle. Veio de lá com milhares de fotografias e este fim-de-semana brindou-nos com uma fotogaleria em stop motion onde usou cerca de mil imagens. É um "filme" em alta rotação que nos embala e nos faz lembrar a verdadeira matriz do cinema. É a imagem congelada a sair do frigorífico. E é a fotografia a dizer que encontrou no digital uma casa onde se sente confortável e onde tem possibilidades ínfimas.
Vale bem a pena assistir ao desfile por aqui.
16 março, 2008
Christie`s vende
#Livros de Fotografia (10 de Abril)
A Christie`s diz que é "provavelmente a melhor" colecção de livros de fotografia alguma vez colocada em leilão. Todas as obras vieram de uma colecção privada e estão em excelente estado de conservação. Para além disso, acrescenta a leiloeira, muitos deles estão autografados ou anotados pelos autores. Entre as obras mais relevantes há, por exemplo, The Decisive Moment, (Henri Cartier-Bresson, Nova Iorque, 1952, entre 20 e 30 mil dólares), uma primeira edição de Paris de nuit (Brassai, 1933, com dedicatória para Andre Kertesz, entre 30 e 50 mil) ou uma primeira edição de The Americans (Robert Frank, Nova Iorque, 1959, entre 10 e 15 mil).
#Fotografias da colecção de Bruce e Nancy Berman (10 de Abril)
Este leilão foi dividido em três sessões. A primeira terá apenas fotografias de Diane Arbus (51 lotes), onde estão incluídas, por exemplo, Boy with a straw hat waiting to march in pro-war parade (Nova Iorque, 1967, entre 25 e 35 mil) e Girl in a watch cap (Nova Iorque, 1965, entre 20 e 30 mil).
#Fotografias da colecção de Gert Elfering (10 de Abril)
É uma colecção que mostra um "olho único" e uma grande "sensibilidade", garante a Christie`s que chama também a atenção para a qualidade do catálogo que foi preparado para esta venda. Ao todo haverá 140 lotes à disposição dos compradores num venda que deverá render entre 2 e 3 milhões de dólares.
#Fotografias de Ansel Adams (11 de Abril)
Leilão integralmente dedicado a uma colecção de fotografias de Ansel Adams proveniente da Califórnia. Algumas impressões estão classificadas como "mural-size", como Clearing Winter Storm (Yosemite, 1944, entre 250 e 350 mil dólares). A leiloeira espera que os 122 lotes possam render entre 3 e 5 milhões de dólares.
#Fotografias de vários autores (11 de Abril)
Conjunto de fotografias desde o início do século XX até ao presente. Entre os autores representados destaque para Edward Weston, Irving Penn, Diane Arbus, Dorothea Lange, Robert Mapplethorpe, Henri Cartier-Bresson e Brassai. A Christie`s chama a atenção para duas obras-primas de Irving Penn que "mostram duas facetas distintas do seu trabalho": uma fotografia que foi capa da Vogue em 1950 e o trabalho Cuzco Children, 1948.
14 março, 2008
emendar
Menção Honrosa, Reportagem (edição 2007)(© Pedro Vilela)
No texto que assinala o número recorde de fotografias ("quase 7 mil") submetidas à edição deste ano do Prémio de Fotojornalismo Visão/BES tecem-se loas à independência do júri que vai apreciar os trabalhos do concurso. É sempre bom lembrar a nobreza de carácter e a isenção de quem foi escolhido para escolher, mas, que eu saiba, ninguém colocou essa condição em causa. As abundantes referências à impermeabilidade das "individualidades estrangeiras" convidadas soam a um emendar de mão depois da imprudência cometida num texto anterior onde se dava um "exemplo" que cabia na nova categoria do concurso deste ano.
nomeados
Daniel MalhãoFoi ontem inaugurada no Museu Colecção Berardo a exposição da 4ª edição do prémio BESPhoto que mostra trabalhos recentes de Eurico Lino do Vale, Daniel Malhão e Miguel Soares.
Estes três artistas foram seleccionados para a fase final do galardão por um júri composto por Albano da Silva Pereira, José Luís Neto, Leonor Nazaré, Nuno Crespo e Ricardo Nicolau. O vencedor será anunciado no dia 7 de Abril.
Eurico Lino do Vale
Miguel Soares13 março, 2008
12 março, 2008
»vejamos»» [as sugestões dos leitores]
Simone Veil, ministra da Saúde, 1974(© Martine Franck/Magnum Photos)
A revista Slate decidiu assinalar o Dia da Mulher (8 de Março) com um ensaio da Magnum onde aparecem algumas personalidades femininas que se destacaram na política e assumiram o poder durante os últimos 50 anos de História.
A sugestão é de Joana Amaral Cardoso.
Para ver todas as imagens desta fotogaleria clique aqui.
11 março, 2008
{photoarquia}

...until you hear a click...
Andei a limpar o pó à meia-dúzia de máquinas antigas que fui juntando ao longo dos últimos anos. Encontrei este folheto dentro da caixa carcomida de uma Kodak Baby Brownie em baquelite preta.
Não resisto a transcrever uma parte das explicações técnicas sobre o funcionamento deste "bebé" da Kodak. Mostra-nos a enorme distância a que já estamos deste mundo...
Este post inaugura também uma nova secção aqui no Arte Photographica - {photoarquia} - que falará da arqueologia e da história da fotografia.
“Instantaneous snapshots
You can take snapshots in bright sun, or when the sun is obscure by light cloud, during the hours between two hours after sunrise and two hours before sunset.
Firs lift up the front frame of the viewfinder and set both frames upright. Hold and aim the camera as shown in the illustrations. Keep your hand well away from the lens.
Hold the camera level and perfectly still when photographing. Push the Shutter Lever slowly and evenly to the left until you hear a click - this indicates that the exposure has been made. When the shutter is released, another click will be heard - this is the shutter returning to the set position and not another exposure being made. Do not jerk he shutter lever, otherwise the picture will be blurred. It is always safer to take snapshots with the sun behind you or slightly to one side - if you expose with the sun in front of you it may shine into the lens and spoil the picture.
To photograph a moving subject, choose a viewpoint where any movement is toward or away from the camera - never across it.”
10 março, 2008
NAF ameaçado
Carlos M. Fernandes, Kaluptein, 2001(© Carlos M. Fernandes)
O Conselho Directivo e a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico preparam-se para atirar o Núcleo de Arte Fotográfica (NAF) deste universidade para fora do espaço onde funcionou nos últimos 30 anos. A ideia é transferir o NAF para o Tagus Park,em Oeiras, onde funciona o segundo e novo pólo do IST. Se a mudança se concretizar, o NAF perde dois dos seus principais trunfos na já difícil afirmação das técnicas tradicionais de fotografia - a centralidade na cidade e a presença no maior pólo do IST. O NAF lutava por uma complementariedade entre os velhos modos de criar fotografia e a avalanche do digital. Agora, com esta situação, luta tão simplesmente pela sua existência.
"O NAF (Núcleo de Arte Fotográfica) do Instituto Superior Técnico é um sigla mágica de grandes tradições. Por ele passaram todos os estudantes do Técnico (e doutras escolas) com veleidades fotográficas. Alguns tornaram-se grandes profissionais da arte e engenho da fotografia. Foi também no NAF (então Secção Fotográfica da AEIST) que nos meus tempos de estudante - já lá vão quatro décadas - aprendi os rudimentos da revelação e vi nascer a minha primeira imagem latente. Nessa altura, os meus interesses eram químicos, não fotográficos. Como de propósito, aquela Secção Fotográfica estava cravada na ilharga do Pavilhão de Química. Já havia olhares cobiçosos sobre espaços alheios, mas fotógrafos e químicos coexistiam em serena harmonia. Lembro-me de descer a escada lateral do Laboratório de Química Analítica (que Deus tenha!) e de voltar à direita para entrar pela portinha mágica que dava acesso à câmara escura."
06 março, 2008
photo london adiada
Lisa Kereszi, Gael dressing, State Palace Theater, New Orleans, 2000(© cortesia da Yansey Richardson Gallery, Nova Iorque)
A edição deste ano da Photo London, agendada para este mês, foi cancelada por causa da demissão de Valérie Fougeirol, directora da Paris Photo que, desde o ano passado, tomou conta da organização do festival da capital inglesa.
Os organizadores franceses prometem o regresso do Photo London para 2009. O Paris Photo não sofrerá qualquer alteração e acontecerá em Novembro.
05 março, 2008
/uma fotografia, um nome\
Xangai, 2002(© António Júlio Duarte)
Esta imagem de uma Xangai, que podia ser ali à esquina, é relativamente recente e já perdeu decisivamente a agudeza da cor, mas manteve essa exploração miudinha dos gestos, que é uma das glórias deste fotógrafo. António Júlio Duarte é um dos grandes fotógrafos nacionais, um daqueles de que nos apropriamos para vitoriar o país. Mas quem gosta de classificações a partir de correntes, tem sérias dificuldades em situá-lo, o que, na realidade, é de bem menor importância no seu trabalho.
Margarida Medeiros parece ter intuído o nó da diferença, usa mesmo o conceito freudiano de heimlich, na sua caracterização mais labiríntica, quando, pela forma positiva de entendimento domesticado, (porque unheimelich, o seu contrário, significa mesmo estranheza), heimlich, paradoxalmente, associa familiaridade a estranheza e ocultação. Como se, naquelas coisas que julgamos reconhecer, um elemento repentinamente perturbador nos desencaminhe. O que faz enigmáticas as suas imagens.
Eu acho mesmo que António Júlio Duarte, que traz sempre a sua câmara a tiracolo, presumindo-se que pesquisa a poesia ou o desvario do acontecer, não é, verdadeiramente, um fotógrafo flâneur. Vagabundeia em trilhos interiores que alucinam a imagem fotográfica, como se procurasse um palco para os seus fantasmas depressivos. E aí, nesse cenário, se conjugam os segredos de um real visível e de um “real” psicanalítico, que é a febre de viver na falta, sabe-se lá de quê. A contingência, como sabemos, fabrica as polaridades da vida, perversas ou sadias, insuspeitadas ou deliberadamente reprimidas, os anjos do bem e do mal em contínua oposição, um olhar que alberga transparência e inquietação. E são essas pequenas percepções que perpassam nas suas imagens, que nos falam de um olhar inquieto, dentro e fora, dum descobrir e descobrir-se que, naturalmente, segue de argumento em argumento.
Talvez por isso, os personagens de António Júlio mostram-se frequentemente em retirada, de costas voltadas; mas não há deficit de avaliação porque a clareza dos gestos do corpo supre outra qualquer informação: ombros que se esgotam de cansaço, desajustes de troncos que ferem de desânimo ou se endireitam com entusiasmo, o perfil da sedução num volteio de roupa, o refechamento duns pés encolhidos. Nesta imagem, o corpo todo que podemos ver fala da expectativa da jovem ao telefone: os ombros direitos – excessivamente tensos no brilho neo-clássico da camisa,- a ligeiríssima inclinação da atenção na nuca perfeita, o comedido afastamento do dispositivo mecânico para garantir a unidade do corpo e do sentir, enfim, o decidido apoio da mão direita no suporte do varão. À sua volta sabemos que a vida circula, alheia e impensada, em segundo plano. O cenário é a parede verde da cabine que recorta o desenho onde o gesto se inscreve. A suspensão do olhar faz-se no centro. O real capta-se por fascinação, é certo, mas pode tornar-se possessão. Do fotógrafo e nossa. O sentimento da arte é afim do real, insinua-se nele o sentido oculto, mas não fica percepção, só fulguração e arrepio. Por isso mesmo é incómodo, não termina no studium, não fala, não se anuncia. É só um clarão, uma passagem. A falta, que está associada ao objecto parcial, a um objecto de substituição como a imagem fotográfica, apela ao desejo.
É bom saber que se trata, afinal, de um registo de experiência. Onde se passa qualquer coisa para lá do que se vê e nos perturba.
É só assim que se passa, guardamos no corpo, num afloramento de toque, a rapariga da blusa de cetim.”
Maria do Carmo Serén
António Júlio Duarte (Lisboa, 1965)
Dezenas de publicações e trabalhos bibliográficos;
Presente em colecções nacionais/internacionais.
Vive e trabalha em Lisboa
01 março, 2008
bombons de Capa
Robert Capa, Teruel, Espanha, Janeiro de 1938(© Cornell Capa/Magnum Photos)
Há uma verde, uma vermelha e uma bege.
Diz quem já esteve perto delas que bem podiam ter sido caixas de bombons. Talvez por causa dos quadradinhos como que a separar formas e sabores.
São três caixas, mas são uma - juntas formam “a mala mexicana” que antes de ser mexicana foi a mala que o fotógrafo de guerra Robert Capa deixou para trás quando, em 1939, abandonou Paris rumo a Nova Iorque, logo depois dos primeiros disparos que marcaram o início da II Guerra Mundial.
E os quadradinhos não guardam doces. Guardam rolos de negativos de quase 3500 fotografias – quase todas serão inéditas - tomadas durante a Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1939, não só por Capa, mas também por Gerda Taro, sua companheira de trabalho, de aventura e romance, e David Seymour “Chim”, o trio que contribuiu de forma decisiva para uma nova maneira de dar a ver a guerra, estando dentro dela e não apenas a observá-la.
(...)
O artigo completo publicado na Pública está aqui.
Robert Capa, telefonema para o comando militar, Rio Segre, na frente de Aragão, 7 de Novembro de 1938(© Cornell Capa/Magnum Photos)


















