28 outubro, 2007

*Três perguntas a...


Sem título, 2007
(© Carlos M. Fernandes)

Carlos M. Fernandes. Nasceu em Luanda em 1973. Vive e trabalha em Lisboa. Estudou fotografia no Ar.Co, em Lisboa (1994-1996), e é mestre em Engenharia Electrotécnica e de computadores, pelo Instituto Superior Técnico. Nas exposições individuas destacam-se Kaluptein (Espaço à P`Arte, Lisboa, 2001), trabalho publicado em livro (IST Press), e Mittel/Europa (Ministério das Finanças, Lisboa, 2006). Ainda em 2006, inaugurou a colecção Reticências, da IST Press, com o ensaio de fotografia I-S-T 95-75-15. Este ano, foi um dos artistas que integrou a exposição colectiva INGenuidades, Fotografia e Engenharia 1846-2006, comissariada por Jorge Calado. O trabalho de Carlos M. Fernandes pode ver-se actualmente na colectiva Atlas, patente até 10 de Janeiro na recém-inaugurada Galeria P4.

¿Por que é que fotografas?
Como escrevi na introdução a um dos meus trabalhos, fotografa-se para contornar a finitude e para celebrar. Com a(s) fotografia(s) temos a ilusão de viver continuamente no presente. Como os animais. Sem sofrimento. Mas logo a condição humana nos afasta desta ilusão confortável, e a fotografia transforma-se em ferramenta de arqueologia. Nessa altura uso-a para investigar o passado colectivo.

¿O teu Atlas do Atlântico é dos que mais terra e cidade tem. Onde é que descobriste esse mar aqui?
Falando literalmente, encontramo-lo como refúgio de uma terra estéril. O solo islandês, feito de lava, é uma barreira para o fogo; este, no entanto, manifesta-se expelindo água para um ar saturado de enxofre. Terra, ar, água e fogo; os quatro elementos clássicos chocam com violência. O mar é o factor redentor deste cenário cruel, é a fonte de riqueza e de serenidade. Está sempre presente quando falamos da Islândia.
Mas o meu Atlas é mesmo um Atlas, talvez mais do que a génese da palavra Atlântico. É a criatura condenada a sustentar a sua própria existência sobre os ombros. É Sísifo. É o Homem. E é parte de uma trilogia que acolhe também a contemplação do Rui e o confronto entre os guerreiros do João e o ambiente.

¿As pessoas nas tuas fotografias aparecem quase sempre como sombras ou silhuetas longínquas. Queres dizer que somos assim tão indefinidos nos espaços que ocupamos?
Aparecem como sombras e raramente aparecem! Os espaços urbanos e os vestígios das pessoas interessam-me mais. Mas se te referes apenas a Atlas/Islândia, onde existe uma presença humana mais intensa do que o habitual, então podemos ir por outro caminho. A Natureza oprime(-me). Os meus lugares de Atlas são a Natureza em estado bruto, selvático. Perante a inclemência dos elementos e do tempo (e aqui uso o termo no seu sentido cronológico, e não meteorológico) somos, talvez, indefinidos. Mas entre o simples mortal e o herói (trágico), entre o guerreiro primitivo e o homem engenhoso, não há uma separação clara. (Por isso chamei, a Atlas, Uma História de Deuses e de Homens.) As minhas silhuetas ocupam os espaços vazios do Rui Fonseca. E o João Mariano dá-lhes uma forma mais palpável. O conjunto tenta lançar alguma luz sobre a indefinição.

26 outubro, 2007

Zidane


Acabei de ver no S. Jorge Zidane, un Portrait du XXIème siècle, concebido por dois manobradores da imagem: Douglas Gordon/Philippe Parreno.

Vemos ao longo desta meticulosa peça cinemática o vagabundear traiçoeiro do jogador francês em campo. Vemos quase só Zidane. Vêmo-lo de uma certa maneira que somos ele. E nem é por causa de o vermos tanto, tanto tempo e às vezes tão perto. Mas lá acabamos por respirar com ele. Por fintar, correr, suar e cuspir com ele. Acabamos por sofrer um golo. Marcar dois. Queremos a bola. E gritamos com ele: “ei!, ei!”. Assanhamo-nos. E depois desaparecemos na escuridão do balneário. Vemos quase só Zidane. Sabemos que há mais jogadores. Mas queremos ver só Zidane, sem o jogo mas no jogo.

Queremos sempre ver Zidane e ser ele naquele jogo e este poder de mimetismo inebriante a fotografia é capaz de não ter.

24 outubro, 2007

África

África (© Sebastião Salgado)

Sebastião Salgado apresenta hoje às 16h30 o seu novo álbum, África, na Fnac do centro comercial Colombo.

23 outubro, 2007

*Três perguntas a...

Vera Lúcia Carmo, auto-retrato, 2007

Vera Lúcia Carmo. Nasceu em Gaia em 1980. Vive e trabalha no Porto. Tem formação superior em Artes Plásticas/Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Durante o curso descobriu a fotografia. Primeiro usou-a como meio de registo e documentação e, depois, como suporte de criação autónomo. Enquanto estudou Escultura concluiu pequenas formações na área da fotografia. Em 2002 fez a primeira exposição na iniciativa “Jovens Criadores de Aveiro”. Desde então participa em pequenas mostras colectivas. Actualmente frequenta o segundo ano do curso profissional do IPF - Instituto Português de Fotografia no Porto. O trabalho Still Moving Frames, que lhe valeu uma menção especial do júri na última edição do prémio Novos Talentos FNAC Fotografia, pode ser visto na loja de S. Catarina, no Porto, até 23 de Janeiro.

¿Por que é que fotografas?
Fotografar é uma forma de materializar realidades que não aconteceram. São passados e futuros paralelos.

¿Dizes que o teu trabalho teve origem na linguagem dos sonhos. Este sonho de Still Moving Frames aconteceu-te mesmo?
Não e sim... exploro sensações de sonhar... retiro as situações ou as pessoas dos sonhos e concentro-me apenas nas emoções que ficam. Ou seja, o significado destes lugares é simbólico, é sensorial. Há um lado pessoal, mas é referencial e não narrativo.

¿Afinal, de que linguagem te sentes mais próxima aqui: a do movimento do cinema ou a da quietude da fotografia?
Este projecto tem uma influência muito presente do cinema, mas vive sobretudo da intersecção entre o cinema e a fotografia, vive de um jogo de memória que fragmenta o movimento, mas não o congela. Penso que fiquei exactamente a meio caminho entre as duas linguagens.

20 outubro, 2007

bd+fotografia

Le photographe, 1º volume, Au Coeur de l´Afghanistan


No Ípsilon desta semana Alexandra Lucas Coelho conta-nos como nasceu Le Photographe, uma obra estranha e fascinante, meio caminho entre banda desenhada e fotografia com o Afeganistão como pano de fundo. O cunjunto de 3 livros foi premiado no último festival de Angoulême. Didier Lefèvre (1957-2007) é o homem da máquina fotográfica que acompanha uma missão dos Médicos Sem Fronteiras para lá de Feyzabad. Emmanuel Guilbert escreveu e desenhou. Fréderic Lemercier paginou e coloriu. Vale a pena ler o texto da Alexandra. Aguça a vontade de ver e ler esta viagem ao país dos homens de olhos pintados.

O site de Le Photographe, onde se podem folhear algumas páginas, está aqui.
O texto do Ípsilon está aqui.

Le photographe, 3º volume, Retour Solitaire

do mar

© Rui Fonseca

Nasceu em Lisboa um novo espaço inteiramente dedicado à fotografia.
Apesar de ter aberto as portas apenas há uns dias, o projecto da Galeria P4 não está a dar os primeiros passos. É mais um refresh e uma mudança geográfica do trabalho que Luís Trindade tem desenvolvido nesta área.
A Galeria P4, que na loja do CCB já mostrava pequenas exposições, instalou-se na R. dos Navegantes (Lapa) dentro de uma antiga casa de habitação. As fotografias da exposição que deu o tiro de partida, Atlas, espalham-se pelas divisões, onde se pode encontrar ainda uma pequena livraria. Todos os artigos de conservação e restauro comercializados pela loja passaram também a estar aqui disponíveis.
Atlas mostra o trabalho a preto e branco de três fotógrafos portugueses: Carlos M. Fernandes, Rui Fonseca e João Mariano. Entre eles, dois elos de ligação: a costa e o mar. O texto do catálogo, do qual se fizeram apenas 50 exemplares, é de Madalena Lello.
Boa sorte.

Atlas
De Carlos M. Fernandes, Rui Fonseca e João Mariano
Galeria P4, Rua dos Navegantes, 16
De seg. a sáb., das 15h00 às 20h00
Até 10 de Janeiro

17 outubro, 2007

da terra

Cristiano Ronaldo, 2007 (© Vik Muniz)

Inaugurou ontem ao público uma exposição de fotografia, A Terra e a Gente, que antes de ser um grupo de fotografias foi um grupo de esculturas esculpidas no chão. O artista brasileiro Vik Muniz descobriu uma nova maneira de fintar a forma como nos chega a realidade através da imagem fotográfica. Interessam-lhe, ao mesmo tempo, os materiais efémeros e os duráveis – a terra onde esculpe e o papel fotográfico onde a obra final renasce com outra linguagem, com outro códigos visuais.
O portfolio apresentado por Vik Muniz no Museu da Electricidade é formado por dez trabalhos originais, feitos a partir de fotografias de Amália Rodrigues, Fernando Pessoa, António Damásio, Siza Vieira, Cristiano Ronaldo e José Saramago e quatro paisagens.
“Fê-los com humildade e um grande fascínio por Portugal. É uma das primeiras encomendas que Vik Muniz faz a nível mundial. É um privilégio”, disse há dias Albano Silva Pereira na apresentação do projecto. “Quando ele me pediu terra portuguesa percebi o rigor do trabalho. Criou volumes e texturas à volta da terra. Depois devolveu os materiais à fotografia”, acrescentou.
O livro que acompanha a mostra tem textos de Clara Ferreira Alves, Delfim Sardo, Régis Durand e Shelley Rice.

Álvaro Siza, 2007 (© Vik Muniz)

A Terra e a Gente, Vik Muniz
Museu da Electricidade, Lisboa
Até 16 de Dezembro

16 outubro, 2007


entre aspas


Milagre do Sol, 13-10-1917
(© Santuário de Fátima)

Não podemos conceber as aparições de Fátima num registo fotográfico

D. António Marto, bispo de Leiria, Público, 14-10-2007



Multidão de peregrinos, 13-08-1934
(© Santuário de Fátima)

14 outubro, 2007

Inês d`Orey

Inês d`Orey
(© Adriano Miranda/Público)

um olhar fotográfico
moldado pela arquitectura

Nas Finanças Inês d`Orey está inscrita em duas profissões: “actividades fotográficas” e “outros artistas”. É uma separação que a máquina de cobranças do Estado julga necessária existir entre o trabalho conceptual e o trabalho comercial de alguém que simplesmente quer fazer da fotografia... um trabalho.

Lá na repartição onde a fotógrafa do Porto entrega as declarações de rendimentos, as senhoras atrás do balcão, conta, também demoraram a encaixar este golpe burocrático entre duas abordagens da imagem vindas do mesmo obturador, mas no final sempre se chegou a uma conclusão.

Hoje, a distinção entre “uma” e “outra” fotografia existe de facto na papelada. Mas na cabeça de Inês nem por isso. Prefere misturá-las. E dizer que se complementam. Ou melhor: que sem “uma” (a comercial) se calhar não estaria a fazer a “outra” (a conceptual). E que sem as duas, bem juntas, não teria chegado ao Porto Interior, o projecto com que ganhou o prémio Novos Talentos FNAC Fotografia 2007.

Foi com este trabalho que saiu à procura de um certo tipo de espaços na cidade onde nasceu e cresceu. Saiu à rua. E entrou. Meteu-se em lugares urbanos talhados para o uso e usofruto, espaços públicos ou semi-públicos, habitualmente com gente dentro, mas que Inês preferiu registar sem vivalma. Lugares de um Porto intramuros pelos quais tenta encontrar explicações para sentimentos como a “solidão”, o “abandono” e a “nostalgia”.

Nessa busca - às vezes um reencontro com cenários que lhe eram “familiares”, às vezes uma descoberta de cenários que lhe eram “estranhos” — serviu-se da ferramenta mais importante para os fotógrafos para além da luz — o olhar.

O olhar com que viu este “Porto Interior” Inês afirma tê-lo encontrado há pouco tempo. E não foi em cursos, especializações, conferências, “workshops” ou seminários. Foi no trabalho dito “comercial” que esteve a fazer para um estúdio de fotografia de arquitectura durante ano e meio.

A partir daí começou a encontrar “interesse e beleza” em espaços que antes lhe passavam ao lado. Esta atenção especial para com as formas, os volumes e as linhas da arquitectura funcionou como uma verdadeira “formação” e moldou o tipo de fotografia que quer fazer nos próximos tempos.

O género de fotografia “vazia” que agora mais lhe interessa no campo conceptual, o gozo pela “sensação da ausência de pessoas”, parece muito distante das imagens de teatro, com muitas personagens, rostos e expressões, que formaram o seu primeiro interesse pela imagem fotográfica.

Quando entrou para Relações Internacionais, Culturais e Políticas da Universidade do Minho, em Braga, Inês imaginou-se, no final do curso, a trabalhar “numa organização internacional qualquer”, mas nunca pensou que estaria de malas feitas para Inglaterra rumo a um bacharelato em fotografia no London College of Printing.

A “revelação” para a fotografia começou de uma maneira clássica — com a revelação de
fotografias dentro de uma sala escura. As primeiras imagens que lhe foram surgindo no
papel sensibilizado causaram “entusiasmo” e uma “emoção enorme”. Começou então a seguir o trabalho do Teatro Universitário do Minho, e depois as peças de outras companhias que faziam espectáculos em Braga. Foram estas imagens que lhe deram a primeira exposição em Portugal, uma colectiva integrada nos Encontros da Imagem de Braga, em 1999.

Inês gosta do cénico e do encenado. Não se sente próxima da espontaneidade do acto fotográfico. Diz que prefere amadurecer as ideias, “pensar bem” naquilo que vai fazer a seguir. “Não gosto de apanhar o momento. Não é isso que me interessa. Nas, férias, por exemplo, não tiro fotografias”.

As imagens que concretizou na capital inglesa foram sobretudo projectos de longo prazo pedidos pela escola. Confessa-se “pouco produtiva”, mas garante que é rápida a executar uma imagem depois de reflectir sobre ela e de a ter isolada em abstracto na cabeça.

No fim do curso em Londres pediu a 12 mulheres portuguesas que escolhessem um objecto e que escrevessem um texto sobre ele. Fez um retrato de cada uma e juntou os três elementos num tríptico. Daqui nasceu a primeira exposição individual em Portugal, no Artes em Partes do Porto, em 2002.

Depois da experiência londrina, tentou assentar em Lisboa. O problema é que durante a meia dúzia de meses que viveu ao lado do Tejo “não se passou nada”. “Fiquei sem inspiração. Não aconteceu nada”, lembra com uma ponta de mágoa.

De regresso ao Norte, surgiu a oportunidade de trabalhar em fotografia de arquitectura. Agarrou o desafio e transformou-o no principal motor das duas abordagens com que leva a cabo o seu trabalho, agora já por conta própria.

Se houve anos marcantes para Inês d`Orey, 2007 foi um deles. E não foi só o prémio FNAC: nos primeiros meses do ano, um dos seus portfolios, Ditados Velhos São Evangelhos, ficou entre os 60 seleccionados para a fase final do prémio Descubrimientos do PhotoEspaña 2007, um galardão ao qual concorreram mais de 600 propostas. Na sequência da visibilidade que ganhou aí, já levou outros trabalhos, também este ano, para a Alemanha (Reality Crossings) e para a Lituânia (Segredos, Mistérios e Ilusões).

Para ano, vai dizendo a medo, pode haver uma surpresa num grande festival de fotografia em França. Aguardemos.

(Perfis do Futuro, in Pública, 14-10-2007)

Para ler a conversa completa com Inês d`Orey clique aqui.

Inês d`Orey
(© Adriano Miranda/Público)

Porto interior
FNAC NorteShopping, Porto

Até 4 de Janeiro

12 outubro, 2007

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Sharon Lockhart, Untitled, 1996
(© The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)

»»Mário Martins andou por Nova Iorque e fartou-se de ver exposições de fotografia. Aqui ficam as suas sugestões:

»» Aperture Gallery, Lisette Model & her successors, "com fotografias, além da própria Lisette, de Diane Arbus, Bruce Weber, Lynn Davis, Larry Fink, Elaine Elliman, Peter Hujar, Leon Levinstein, entre outros. Muito bem apresentada e com fotografias significativas. Além disso, a galeria tem uma excelente livraria".

»» International Center of Photography, This is WAR! Robert Capa at World e Gerda Taro, "duas excelentes exposições" acompanhadas de "cartazes e revistas sobre a fotografia e o papel da mulher na Guerra Civil de Espanha. Tem também uma óptima livraria".

»» Galeria Deborah Bell Photographs, Garry Winogrand

»» Metropolitan Museum, Depth of Field: Modern Photography at the Metropolitan

Gerda Taro, Marines playing musical instruments on board the battleship Jaime I, Almería, Espanha, 1937
(© International Center of Photography)

Garry Winogrand, Diane Arbus, Love-in, Central Park, Nova Iorque, 1969

partilhar

Pormenor de retrato do estúdio de Emílio Biel, Porto, ca. 1900
(© Colecção Particular)

Faltava partilhar convosco estes dois retratos do Porto, um da Photo Beleza e outro do mítico estúdio de Emílio Biel. Descobri-os durante as férias, no meio de muita papelada e material de filatelia.
Encontro nestes olhares uma inocência perdida em relação ao acto fotográfico. Encontro neles mais qualquer coisa que entretanto se perdeu. Nem sei bem o quê. Talvez sejam capazes de descobrir melhor do que eu.


Retrato do estúdio de Emílio Biel, Porto, ca. 1900
(© Colecção Particular)


Retrato Estúdio Photo Beleza, Porto
(© Colecção Particular)

11 outubro, 2007

Alexandra Boulat (1962 - 2007)

Alexandra Boulat

Morreu a fotojornalista francesa Alexandra Boulat, vítima de um aneurisma. Boulat, que tinha 45 anos, cobriu vários conflitos em todo o mundo (Médio Oriente, Afeganistão, Iraque e antiga Jugoslávia), mas nos últimos meses de trabalho focou a sua objectiva em Ramallah, na Faixa de Gaza. Publicou imagens em jornais e revistas como a “Time”, “Newsweek”, “New York Times Magazine”, “Guardian”, “National Geographic” ou “Paris Match”. Até 2000 esteve ao serviço da agência Sipa e depois ajudou a fundar a agência VII. A condição feminina no mundo islâmico foi um dos temas de eleição do seu trabalho.

Para ver galerias fotográficas com o trabalho de Alexandra Boulat clique aqui e aqui.

Refugiadas afegãs
(© Alexandra Boulat)


entre aspas

Manifestação anti-imperialista de 2 de Julho de 1954

Pela primeira vez na minha vida, pus um lenço na cabeça sem reparar que estava todo amarrotado.
Podia sentir com exactidão o meu rosto cavado pela dor, a chuva daquele dia cinzento insinuando-se nos sulcos. Nenhuma maquilhagem. Para quê? Não tenho coragem de me armar em
coquette. De qualquer maneira, não teria iludido ninguém sobre o meu estado. Já não tenho coragem para nada, nem mesmo para sofrer.
Diego empurrava a minha cadeira de rodas.
Quis ainda acreditar que há causas mais importantes do que a minha invalidez, do que os meus tormentos. Causas superiores, ao lado das quais os meus males são coisa de pouca monta. De qualquer modo, vendo bem, assim destroçado, o meu corpo já não é digno de interesse.
É preciso sacrificar o individual à grandeza de causas mais universais. Duvidar disto seria um crime contra a humanidade. Acredito nisto.
Olho para uma fotografia minha tirada durante a manifestação.
Tenho ar de quê? O desespero ambulante. A minha cara não traduz senão tristeza.
Não há senão sombras no quadro.
Dramatis personae.
Vou rasgar esta fotografia. Não. Não tenho força para o fazer.


Rauda Jamis, Frida Khalo, Quetzal

10 outubro, 2007

fora II

Momentos estelares. Las fotografia en el siglo XX
(© Sandy Skoglund)

Há cinco anos Hans-Michel Koetzle, escritor, crítico e redactor-chefe da revista Leica World, deu início a uma tarefa enciclopédica de selecção dos nomes de alguns dos mais importantes fotógrafos do século passado. O resultado dessa empreitada, com critérios sempre discutíveis, já foi publicado na Alemanha (Das Lexicon der Fotografen). O Círculo de Bellas Artes de Madrid decidiu agora editar o livro em castelhano e chamou-lhe La Fotografia en el Siglo XX. Em paralelo com a edição da obra, o CBA pediu a Koetzle e a Olivia María Rubio, antiga directora artística do PhotoEspaña e actual responsável pelas mostras da galeria La Fábrica, para comissariarem uma exposição onde estivessem representados os “momentos”, “correntes” e “movimentos” que marcaram os últimos cem anos do milénio que acabou.

O livro pode ser descarregado em formato pdf aqui.
Para fazer uma pequena visita virtual à exposição clique aqui.

Momentos estelares. Las fotografia en el siglo XX
Círculo de Bellas Artes, Madrid
Até 18 de Novembro

Momentos estelares. Las fotografia en el siglo XX

08 outubro, 2007

fora I

Timothy H. O’Sullivan, dunas de areia, Carson Desert (Nevada), 1868, albumina
(© BnF/Société de Géographie, Paris)

Parece muito interessante esta exposição sobre os fotógrafos que, na segunda metade do século XIX, deram início à exploração do Oeste norte-americano, cheio de paisagens imponentes, aqui e ali habitadas por índios. Era um território mal conhecido pela objectiva fotográfica por causa da guerra de Secessão americana. Dois anos depois do fim da disputa entre norte e sul (1861-1865), o governo federal envia várias expedições oficiais para explorar os estados do Oeste, missões que podem ser consideradas precursoras do célebre projecto fotográfico da Farm Security Administration. O equipamento de fotografia acompanha os expedicionários e traz imagens de uma terra virgem, rica em recursos naturais, que serão divulgadas por todo o país em grandes formatos e vistas estereoscópicas. Neste conjunto, que tem a particularidade de vir na totalidade de colecções públicas francesas, estão representados os parques de Yosemite, Yellowstone e o Grand Canyon. Aparecem também retratos menos conhecidos de nativos americanos.
Visions de l’Ouest:photographies de l’exploration américaine, 1860-1880 reúne uma centena de tiragens originais de fotografias da autoria de Carleton Emmons Watkins, Timothy H. O’Sullivan, William Henry Jackson, Antonio Zeno Shindler, Alexander Gardner, John Karl Hillers, Andrew Joseph Russell e William Bell. A exposição mostra ainda vistas estereoscópicas, gravuras feitas a partir de fotografias, relatórios oficiais e vários outros documentos da época.

Visions de l’Ouest: photographies de l’exploration américaine, 1860-1880
Museé d`art américain de Giverny
Rue Claude-Monet, 99, Giverny, França
Até 31 de Outubro

03 outubro, 2007

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

© David Gagnebin

»»Luís Maio andou por Genebra por estes dias e trouxe duas sugestões na mala, ambas do Centre de la Photographie.

De Bons de Mémoire, de David Gagnebin, é "uma exposição de fotografias que dão origem a textos que dão origem a imagens".

I Fell it All, de Guadalupe Ruiz, "demonstra uma implacável precisão na observação dos códigos sociais".

© Guadalupe Ruiz


Centre da la Photographie
Rue des Bains, 28, Genebra
Até 21 de Outubro

02 outubro, 2007

aprender II


Centro Português de Fotografia
(© Paulo Pimenta/PÚBLICO)

Mais uma boa iniciativa do Centro Português de fotografia, desta vez voltada para a formação na área dos arquivos de fotografia e reflexão sobre os problemas aliados à vida das fotografias na internet. Há dois workshops agendados, um dos quais em Lisboa e Porto.

»» Organização e disponibilização de informação em arquivos fotográficos

Porto (sede do CPF): 18 de Outubro de 2007 (10h00-12h30h/14h30 - 17h30)

Lisboa (sede da DGARQ): 25 de Outubro de 2007 (10h00-12h30/14h30 - 17h30)


»» Disponibilizar informação na Web: problemática e desafios

Porto (Sede do CPF): 30 de Outubro de 2007 (10h00 - 12h30/14h30 - 17h30)


Toda a informação sobre os programas e o boletim de inscrição estão disponíveis no site do CPF aqui

01 outubro, 2007

aprender

(© Bárbara Assis Pacheco, 1º Curso de Fotografia FCG)


Estão abertas até 15 de Outubro as inscrições para o 2º Curso de Fotografia promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. As aulas decorrerão entre 11 de Fevereiro e 18 de Abril do próximo ano. A organização dividiu o plano de estudos em três núcleos principais, a saber: “produção fotográfica, discussão crítica e sistemática sobre as questões relevantes da fotografia contemporânea e a produção dos projectos individuais". O curso destina-se "a todos aqueles já com alguma experiência na prática artística da fotografia e, preferencialmente, com uma idade mínima de 22 anos e máxima de 35 anos". A coordenação está a cargo do professor, investigador e comissário Sérgio Mah. A equipa de formação incluirá ainda Carol Squiers (escritora, editora e curadora), Horacio Fernández (professor, comissário, curador e crítico), Lynne Cohen (fotógrafa e professora), Oliver Richon (fotógrafo e professor), Rosangela Rennó (artista visual) e Timm Rautert (fotógrafo).
Informações mais completas sobre o curso estão aqui.

 
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