30 agosto, 2007

Laden+Cristo+Bush

Bush, 2007, Jonathan Yeo
(Lazarides Gallery © Jonathan Yeo)

Há dois retratos com sopreposição de imagens a causar graves crises de urticária a mentes mais sensíveis. Um deles, concebido pela australiana Priscilla Bracks, funde os bustos de Ossama bin Laden e Jesus Cristo para criar um só rosto. O outro recria a cara de George W. Bush a partir de dezenas de recortes de revistas pornográficas e foi feito pelo inglês Jonathan Yeo.

Priscilla Bracks explica o seu trabalho aqui.
O site de Jonathan Yeo está aqui.
O Publico de ontem tem uma notícia sobre a polémica em torno da exposição do Blake Prize for Religious Art, onde está incluída a obra de Priscilla Bracks.

Bearded Orientals: Making the Empire Cross, Priscilla Bracks
(© Priscilla Bracks)

 fotografiafalada

Telhado, Serra do Barroso, Fevereiro de 1983
(© Georges Dussaud)

Havia uma casa com uma porta em ferro entreaberta. E como os fotógrafos são muito curiosos, espreitámos. Havia esta mulher, a quem pedimos para entrar. Ele preparava-se para peneirar a farinha de milho para fazer pão. Ela continuou o seu trabalho, com a cara coberta de farinha, e a sua filha veio contra ele. É uma cena que me faz lembrar a pintura holandesa, com a luz rasante, que desenha os utensílios, e a mulher curvada. É um quadro que me toca. A relação humana e a beleza da luz contêm algo que é pictural.

(Georges Dussaud)

Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia

Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 18h00
.
Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

ressacar

Ressaca
(© António Júlio Duarte)

Em resposta à bebedeira de cor que andou à solta pelo país durante o Euro 2004, António Júlio Duarte mostra-nos o dia depois, a Ressaca, em tons de cinza flashados. É a imagem de um país eufórico, desregrado, em transe futebolísco. É, logo ali, pouco depois, a imagem de um país desolado, atarantado, sujo e vazio, a chorar baba e ranho, pelo que podia ter sido e não foi.
António Júlio Duarte andou muito perto de quem e do que quis fotografar, como é seu timbre. Muito perto e de flash ligado, para contornar com uma auréola de luz branca aquilo que mais quis revelar – a expressão de sentimentos contraditórios em perenes lapsos de tempo.
Ressaca é a segunda parte de um projecto iniciado com Uma Cidade de Futebol, exposição mostrada na Cordoaria, em 2004, também com trabalhos de Paulo Catrica, comissário, e Pedro Letria.

Ressaca, de António Júlio Duarte
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa
Rua da Palma, 246
De ter. a sáb., das 10h00 às 19h00
Até 13 de Setembro

29 agosto, 2007

 fotografia guiada

Centro Português de Fotografia
(© Paulo Pimenta)
E eis que, de repente, parece que o Centro Português de fotografia acordou de um certo entorpecimento. As tais “reorganização dos serviços” e “rentabilização de efectivos”, anunciadas há duas semanas, não páram de nos surpreender. Depois de um horário ligeiramente alargado, agora, o CPf propõe visitas guiadas ao edifício da Cadeia da Relação e às exposições, no terceiro sábado de cada mês. Nada mal.
O CPf avisa que os interessados em ver fotografia com guias implica uma pré-inscrição até às 12h30 do dia anterior à visita.

Nas datas propostas haverá sempre dois horários para esta iniciativa:
»»Das 15h00 às 16h30
»»Das 17h00 às 18h30

As próximas visitas, sujeitas a um número máximo de 25 participantes, são a:
»»22 de Setembro
»»20 de Outubro
»»17 de Novembro
»»15 de Dezembro


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28 agosto, 2007

rever o nu

Spencer Tunick fotografa no glaciar de Aletsch
(© AFP)

Parte da última crónica de Eduardo Cintra Torres no Público (Imagens a nu) fala do mais recente happening fotográfico idealizado por Spencer Tunick no glaciar de Aletsch, na Suíça.

O crítico de televisão denuncia a falta de novidade destas grandes esculturas humanas sem roupa e refere a inexistência de fotografias do próprio Tunick sempre que as notícias nos diversos suportes falam de alguma das suas criações artísticas. Ou seja, as imagens que acompanham o noticiário sobre as movimentações do fotógrafo americano pelo mundo são da autoria de fotojornalistas e operadores de câmara de agências internacionais e nunca de quem concebeu, preparou e concretizou a imagem primeira que esteve na origem desse noticiário.

Cintra Torres acha isto "curioso". Eu acho normal.

Normal porque a notícia, para a esmagadora maioria dos media, é a conjungação simultânea dos factores "multidão", "nu" e "espaço público", como o próprio Eduardo enumera no texto e aos quais eu acrescento os factores "insólito" e "desconforto". Tudo dentro do saco da arte, caso contrário dificilmente a mega concentração de pêlos púbicos entraria na televisão à hora de jantar.

A notícia não é a fotografia ou as fotografias de Tunick como processo criativo ou como objecto de arte, até porque aí, goste-se mais ou menos, não há grande novidade, como o crítico também nota e documenta. A notícia não é a fotografia de Tunick - eventualmente vendida em galerias de Nova Iorque ou Londres sem que antes alguém lhe ponha a vista em cima -, mas a concretização de uma ideia bizarra que tem como um dos ingrediente a nudez colectiva.

Parece-me claro que é esta mole de carne em pose estudada que espicaça os media e não o génio criativo de Tunick. Ou alguém está a ver os pivôs do Jornal da Noite da TVI a lançarem uma peça sobre o conceito de nudez na tradição judaico-cristã e sua influência na dessacralização do corpo em Spencer Tunick?

(A crónica de Eduardo Cintra Torres está aqui.)

Spencer Tunick fotografa no glaciar de Aletsch
(© Laurent Gillieron/EFE)

27 agosto, 2007

fora II

Jindřich Štyrský (1899–1942), Souvenir, 1924
(© Národní galerie v Praze, Praga)

Entre guerras mundiais, a modernidade na fotografia instalou-se na Europa Central como em nenhuma outra parte do globo. Suporte de experimentação por excelência para uma legião de amadores recém promovidos aos salões, símbolo de modernidade para os artistas "progressistas", a fotografia conheceu neste período um protagonismo inusitado também muito por culpa da forma como se alojou em revistas, jornais, cartazes de publicidade e propaganda e livros.
A exposição Foto: Modernity in Central Europe, 1918-1945 (National Gallery of Art, Washington) propõe-se recuperar "o papel preponderante desempenhado pela fotografia" neste período e explicar "o seu contributo para delinear o modelo de modernidade da Europa Central".
A mostra está dividida em oito núcleos temáticos, a saber:

»»The cut-and-paste world: recovering from war
»»Laboratories and classrooms
»»Modern living
»»New women - new men
»»The spread of surrealism
»»Activist documents
»»Land without a name
»»The cut-and-paste world: war returns

Sasha Stone (1929 – ), Erwin Piscator Entering the Nollendorf Theater, Berlin (detalhe)
(© Sasha Stone)

Karel Kašpařík, Why?, ca. 1935
(© Moravská galerie, Brno)

Foto: Modernity in Central Europe, 1918-1945
»»National Gallery of Art, Washington, até 3 de Setembro
»»Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque. De 12 de Outubro a 13 de Janeiro (2008);
»»The Milwaukee Art Museum. De 9 de Fevereiro a 4 de Maio (2008);
»»The Scottish National Gallery of Modern Art, Edimburgo. De 7 de Junho a 31 de Agosto (2008)

O catálogo desta exposição está à venda na Fnac.


entre aspas

Retrato, Photo Chic, Porto, ca. 1913
(© colecção particular)

Tudo poderia ter resultado, tudo poderia ter sido de outra maneira, mas há uma abominável sensatez que manda reorganizar o mundo a partir do que ele é e não a partir do que ele poderia ter sido. Conservo retratos, evidentemente, mas pertencem àquela categoria de objectos que não cabem em nenhum catálogo nem servem para reconstruir uma biografia. Os amores passados são sempre amores de Verão.

António de Sousa Homem, Ventos de Agosto, Notícias Sábado

24 agosto, 2007

fora

Roger Mayne, Girl Jiving in Southam Street, 1957
(V&A Images/Victoria and Albert Museum, © Roger Mayne)

How We Are – Photographing Britain é a maior exposição de fotografia alguma vez organizada na Tate Britain, em Londres. A partir de um pressuposto identitário faz-se um percurso pelos processos e impressões pioneiros até aos mais recentes suportes e formas de criação fotográficas. O objectivo é reflectir sobre o que foi e o que é ser britânico. A Tate garante que foi buscar documentos e obras a todos os pontos do Reino Unido. Para além dos nomes históricos e consagrados, como William Henry Fox Talbot, Lewis Carroll, Julia Margaret Cameron, Angus McBean, Bill Brandt, David Bailey ou Martin Parr, a Tate seleccionou também nomes menos conhecidos “e que nunca aparecem nas histórias da fotografia britânicas”. Para complementar esta viagem pela “identidade britânica”, a Tate destaca ainda o trabalho das mulheres fotógrafas e memorabilia diversa que inclui postais, álbuns de fotografia, fotografias médicas, cartazes publicitários, propaganda e documentos sociais.
Uma das novidades interessantes desta exposição é que ela não acaba nas paredes da Tate – continua na net através do Flickr, o sítio da comunidade de fotografia mais popular da rede. How We Are Now convida todos os visitantes a darem o seu contributo para o conteúdo da mostra enviando os seus trabalhos para este espaço.
O jornal da Tate pediu a uma série de escritores, curadores e fotógrafos a reflectirem sobre algumas imagens da exposição. O resultado desse exercício está aqui.

Para folhear álbuns de fotografia antigos da exposição clique aqui.
Para ver exemplos de trabalhos enviados para o Flickr clique aqui.


Homer Sykes, Caking Night Dungworth, Yorkshire, 1974
(© homer@homersykes.com)

Elaine Constantine, Mosh, 1997
(© Elaine Constantine)

23 agosto, 2007

saldos

Eyes of Memory,
Photographs from the Archives of Herbert & Leni Sonnenfeld

O site americano da Yale University Press está a fazer descontos de 50 por cento em alguns livros de fotografia do seu catálogo. Há obras de grande qualidade a preços muito convidativos. O único senão é que a editora não faz envios para a Europa. Uma maneira de contornar este problema é encomendar via alguém de confiança nos EUA ou em qualquer um dos países listados no site. É o que eu vou fazer.

Os livros em saldo estão aqui.


Stieglitz,
A Beginning Light, de Katherine Hoffman

22 agosto, 2007

ficar

Rui Costa
(© Miguel Vidal/Reuters)

Impressionou-me muito esta fotografia de Rui Costa.

O momento captado mostra o médio do Benfica no Estádio da Luz depois de ter marcado o segundo golo contra o FC Copenhaga. A expressão de Rui Costa é enigmática. De certa forma, também é reveladora de uma maneira particular de estar no futebol, íntegra e apaixonada. Não consigo recordar com rigor o antes e o depois deste instantâneo. Vi os golos em repetição televisiva. Vi o jogo a espaços. Ainda assim arrisco uma leitura deste rosto de grito contido, de herói carismático.

Rui Costa não é um jogador novo (muitos com a sua idade já penduraram as botas). Já não é um jogador rápido. E aguenta com dificuldade os 90 minutos de uma partida. Mas tem, dos pés à cabeça, duas características que o transformam num jogador raro nos relvados portugueses: experiência e inteligência.

Durante a pré-época, e até antes de assinar de novo pelo clube que o lançou, soaram daqui e dali críticas à aposta na sua continuidade como um dos pivôs do jogo do Benfica do meio campo para a frente. No primeiro jogo oficial do clube da Luz esta época, parece que Rui Costa foi um dos poucos a remar contra a maré, ou seja, a remar contra a mediocridade em que está mergulhada a sua equipa. A tal ponto que vi escrito em algum lado que não foi o Benfica que ganhou o jogo contra o Copenhaga, mas sim Rui Costa. Dois remates certeiros de fora da área no mesmo jogo não acontecem muitas vezes. Aconteceram a Rui Costa nesta partida porque, creio, ele era um jogador acossado na sua dignidade. Os golos de longe não são uma novidade nos seus pés. Mas estes revestiram-se de uma importância particular, porque significaram não só uma esperança, ainda que vaga, da continuidade da sua equipa na Liga dos Campeões, mas também o reafirmar da sua classe como jogador e a reposição da sua honra no relvado.

Esta expressão grave, de dentes cerrados, revela um jogador ferido que foi obrigado a recuperar o brilho fazendo extraordinariamente bem aquilo que sempre soube fazer bem, ultrapassando-se.
Este rosto ainda queimado pelo sol das férias relembra a parangona que diz “quem sabe nunca esquece”, ainda que nos pés venha ainda colada alguma areia fina das praias do Algarve.
Esta cara de alegria travada, de alegria que parou antes de chegar à garganta, mostra um jogador renascido e de novo amado por aquilo que é e por aquilo que sabe fazer, sem grandes piruetas nem mortais à retaguarda.
Esta cara tem um olhar incerto, abstracto, para lá do círculo do estádio. É um olhar perdido de alguém que foi reencontrado por milhares em êxtase à sua volta, por milhões a olhar para si.
Esta cara é quase a ausência de emoção no meio do turbilhão de emoções que rebentam depois da bola entrar na baliza. É também uma cara de pequena vingança para quem menosprezou, espezinhou e foi malcriado. É a cara de um homem que, num momento de comunhão e adrenalina total, quis ficar só. Como quem enfrenta a besta sem gritar pela 7ª Companhia.

E, contudo, não é a primeira vez que Rui Costa remata de muito longe um tiro certeiro para repor o seu brio, para nos mostrar a entrega com que veste a camisola. Aconteceu nos quartos-de-final do Euro 2004 contra a Inglaterra, quando era um dos mal-amados da selecção. Aconteceu quando marcou o terceiro golo de Portugal, um golo decisivo numa vitória histórica. Aí, lembro-me bem, Rui Costa abriu os braços, fechou os punhos e gritou.

Foi só uma forma diferente de dizer: “contem comigo, estou aqui!”.


20 agosto, 2007

culpar

(Imagem TVI)

Ao ler uma crónica recente do Miguel Gaspar sobre a relação dos media com o caso Madeleine lembrei-me de uma imagem que o Jornal de Notícias decidiu, em má hora, estampar na primeira página de 7 de Agosto, numa altura em que surgiram pistas novas a propósito do desaparecimento da menina inglesa. O texto do Miguel reflecte sobre a tentação geral dos media de transformarem “notícias em narrativas” manipulando e ligando de forma irresponsável “elementos de verosimilhança a crenças inconscientes ou a preconceitos”. E fala também da facilidade com que se transformaram os pais de Madeleine McCann em eventuais criminosos, quando, muito pouco antes, eram heróis de escala mundial.
É claro que, para além do que se escreve, a forma e o conteúdo do que se vê contribuem, muitas vezes de uma maneira implícita, para a construção de juízos individuais que se vão moldando de acordo com vários condicionantes, neste particular, o tempo que já leva o caso, a informação disponível e a informação diponibilizada (imagem fotográfica, televisiva ou outras, incluídas).
Numa altura em que se falava de novas pistas vindas do quarto onde dormia Maddie e se procuravam outras nos carros usados pelos pais e amigos do casal McCann, o JN decidiu usar na capa uma captura de ecrã de uma filmagem da TVI. Vemos Kate McCann de criança ao colo, cabisbaixa, face encostada ao ombro, cabelo em desalinho, olhar escondido por óculos de sol e atitude de quem não quer ser vista ou interpelada. Na mesma imagem há ainda o aspecto pixelizado e uma particular falta de nitidez, características típicas de uma captura de ecrã de televisão impressa em papel de jornal que dão à cena um élan de urgência, dramatismo e velocidade.
Apesar do pós-título afirmar que os pais de Maddie se tentavam refugiar da “exposição mediática”, a decisão de publicar esta imagem é altamente questionável. É questionável porque estão nela todos os condimentos de um grande sentimento de culpa e comprometimento que, neste momento particular, atiravam Kate para o grupo dos principais suspeitos pelo desaparecimento da própria filha. Isto sem que, à data, tivessem sido tornadas públicas quaiquer provas oficiais que apontassem nesse sentido. É pena que um jornal com a responsabilidade do JN tenha publicado esta imagem neste contexto. É pena que o director de fecho do JN nesse dia não tenha parado para pensar um pouco sobre o alcance da sua decisão. Miguel termina a sua crónica dizendo que o “povo português pode ficar feliz” porque “a hipermediatização tablóide” é “uma matéria em que somos mais aprendizes do que feiticeiros”. Bom, o certo é que, passo a passo, lá vamos saindo dos bancos da escola rumo ao púlpito do professorado.

Não vale a pena discutir a objectividade ou a subjectividade do jornalismo, quando o jogo assenta em desvalorizar que se sabe muito pouco e a construir um sentido, eventualmente forçá-lo, a partir do pouco que se sabe.

Miguel Gaspar


Primeira página do Jornal de Notícias de 7 de Agosto

19 agosto, 2007

 fotografiafalada


Lamacha, Serra do Barroso, Agosto de 1983
(© Georges Dussaud)

Foi num casamento de emigrantes. Fomos convidados. Isto aconteceu depois da boda, à tarde: havia um baile numa eira, e estas tinham sido as meninas das alianças. Isto foi uma espécie de prenda caída do céu para o fotógrafo: aquelas mulheres lá ao fundo – há um lado quase de quadro bíblico, com a apresentação do bebé, e o burro... Atrás decorria o baile popular.

(Georges Dussaud)

Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia

Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

17 agosto, 2007

WPP

Clint Eastwood, Damon Winter, EUA, Los Angeles Times
(3º prémio, categoria Retrato)
A romaria para ver as fotografias dos concursos World Press Photo e Prémio Fotojornalismo Visão/BES desloca-se este ano do CCB para o Museu da Electricidade, também em Belém. Alexandra Prado Coelho escreve hoje no P2 sobre algumas imagens que fazem parte da mostra e conta como os fotógrafos estão a abandonar a corrida do mostrar primeiro e andam cada vez mais à procura de ideias. Que é como quem diz, andam à procura de um olhar. Pode não ser diferente do resto, mas é preciso é que seja o seu.

A galeria com os vencedores deste ano está aqui.
Os textos do P2 de hoje estão aqui e aqui.

Saparmurat Niazov, o "Pai de Todos os Turquemenhos", Nicolas Righetti, Suíça, Rezo
(1º prémio, categoria Histórias)

16 agosto, 2007

ELVIS

Elvis Presley, 1956
(© Alfred Wertheimer)

"Elvis who?". Quando a assessora de imprensa da RCA Anne Fulchino pediu a Alfred Wertheimer para acompanhar uma nova estrela da editora, o fotógrafo não fazia ideia quem era Elvis Presley. Wertheimer andava nessa altura a tentar a sua sorte como fotógrafo de moda, mas não era exactamente isso que queria fazer. O fotojornalismo era o seu principal objectivo. Através de um fotógrafo da revista LIFE foi apresentado a Fulchino. A assessora gostou do seu trabalho e propôs-lhe que acompanhasse Elvis durante algum tempo. As fotografias captadas durante essas reportagens seriam eventualmente usadas nas contra-capas de discos e algumas seriam distribuídas pelos jornais. A ideia era passar facilmente a imagem de Elvis em acção nos concertos, nos bastidores e em alguns aspectos da sua vida privada. O dinheiro que Wertheimer recebia em troca deste trabalho dava para pagar os rolos a preto e branco, as provas de contacto e as deslocações e, de vez em quando, uma refeição. Quando quis retratar Elvis a cores, o fotógrafo teve de pagar os rolos do seu bolso. Em contrapartida, ficava com os direitos sobre os negativos e o dinheiro da venda destas imagens para outras publicações era para si. Um negócio que veio a revelar-se bem mais lucrativo para o homem da máquina fotográfica do que as duas partes na altura alguma vez podiam imaginar. Com acesso privilegiado a locais onde o comum dos fotógrafos nunca poderia estar, Wertheimer acompanhou Elvis em 1956 durante 10 dias e em diferentes ocasiões. Durante essas sessões captou cerca de 450 fotografias. Essas imagens são talvez as que melhor transmitem todo o caldeirão de sentimentos e situações que envolveram o cantor no ano em que foi definitivamente catapultado para a fama. O ano em que gravou Hound Dog e Don’t Be Cruel, o 45 rotações mais vendido da década. O ano em que Elvis se tornou um ídolo para os adolescentes americanos. O ano em que dá os primeiros passos rumo ao estatuto de celebridade. Um tempo em que se entregava sem receios à objectiva. Um tempo em que permitia que ela estivesse por perto. Muito perto.
Elvis morreu há 30 anos.

»»Aqui há uma entrevista de Gary James a Alfred Wertheimer.
»»Uma selecção de fotografias de Elvis tiradas por Wertheimer estão publicadas no livro Elvis at 21: New York to Memphis (ed. Insight Editions). Para folhear algumas páginas da obra clique aqui.

He hardly knew I existed. He would get absorbed. Whem people get absorbed, you get good pictures
Alfred Wertheimer

Elvis Presley, 1956
(© Alfred Wertheimer)

+ tempo

Centro Português de Fotografia, Cadeia da Relação
(Paulo Pimenta/Público)

O horário das salas de exposições do Centro Português de fotografia sempre foi um dos seus principais defeitos. É um pecado ter aquele espaço aberto ao público apenas durante 3 horas aos dias de semana e 4 aos fins-de-semana. Nunca compreendi muito bem essa política de horário reduzido que sempre vigorou no CPf. Desconheço se é por receio de não ter pessoas nas exposições ou se não havia recursos para garantir o funcionamento de todo espaço (quantas pessoas são necessárias para abrir e fechar as portas da Cadeia da Relação?). A verificar-se uma ou outra coisa - ou as duas - não deixa de ser absurdo que a principal instituição ligada à fotografia no país não abra as portas pelo menos aos sábado e aos domingos de manhã.
Hoje a direcção interina do CPf fez saber que vai alargar o horário das salas de exposição "a título experimental" (experimentar o quê?). E revela que esta decisão foi tomada tendo em conta a “reorganização dos serviços do CPF" e a "rentabilização dos efectivos disponíveis”. Não sendo bem uma justificação, não deixa de ser uma explicação estranha e curta esta. Fica a pergunta: se com o mesmo número de funcionários (duvido que se tenham contratado mais pessoas) é possível agora manter todas as salas disponíveis mais tempo, por que é que não se tomou esta decisão antes? Ou foi tudo apenas uma questão de "reorganização" e "rentabilização"?
A mudança anunciada passa essencialmente por abrir mais duas horas e meia nos dias úteis. O absurdo no horário de fim-de-semana mantém-se.
Bom, interessa sobretudo que a partir de agora, e pelo menos durante este tempo de "experimentação" (apenas até ao fim de Setembro, dizem), será possível ver fotografia no CPf com horários um pouco mais maleáveis. Imagino que quem se desloca muitas vezes ao Porto de propósito para ver as exposições patentes na Cadeia da Relação agradecia até um pouco mais de ousadia. Já faço figas para que "a experiência" resulte em cheio.

Novo horário do CPf :
»»De terça a sexta-feira, das 10h00 às 12h30 e das 15h00 às 18h00;
»»Sábados, domingos e feriados das 15h00 às 19h00.

13 agosto, 2007

mármore


Mármore, Pedro Letria
(ed. Assírio & Alvim)

Alexandra Lucas Coelho escreveu sobre Mármore, um livro "elíptico, rarefeito, apocalíptico" onde o fotógrafo Pedro Letria tenta apaziguar alguns dos seus demónios pessoais. No "booklet" que acompanha a obra, Ian Jeffrey, historiador de fotografia e professor no Goldsmiths College de Londres, escreve: “Na história do medium não existe nada como Mármore, nada com o seu alcance epistemológico. É verdade que até certo ponto é um relatório sobre o estado do mundo, mas é mais ainda um convite para compreendermos como nos podemos relacionar com tudo o que é”.
O texto que saiu no Ípsilon está aqui.

Algumas destas imagens são claramente em Portugal, de outras não sabemos.
(...) Algumas destas imagens são claramente fora de Portugal, de outras não sabemos.
Muitas destas imagens não são claramente de lado algum.”
Em nenhuma destas imagens sabemos onde e quando estamos, quem são aquelas pessoas, porque estamos a olhar para isto.
(...)

Alexandra Lucas Coelho, Ípsilon, 10.08.2007

11 agosto, 2007

nan

Self-portrait with milagro, The Lodge, Belmont, MA, 1988
(Guggenheim Museum © Nan Goldin)
Já passaram uns meses valentes, mas só há dias me apercebi que Nan Goldin ganhou este ano o Prémio de Fotografia Hasselblad, um dos mais prestigiados do mundo.

O júri do galardão, que incluiu a portuguesa Tereza Siza, fez a seguinte declaração:

Nan Goldin is one of the most significant photographers of our time. She has been documenting her own life and that of her friends – her extended family – for more than 30 years, focusing on the urban scene in New York and Europe in the 1970s, 80s and 90s, marked so dramatically by HIV and AIDS. Her work, while based on the direct esthetics of snapshot photography, presents her personal life as work of arts; intimate, formally beautiful, and with intense use of color. The presentation of her work in the form of slide shows resonates in the work of photographers of more than one generation. Her use of photography as a memoir, as a means of protection against loss and as an act of preservation responds to the needs of our times.

Jimmy Paulette on David's Bike, Nova Iorque, 1991
(San Francisco Museum of Modern Art © Nan Goldin)

09 agosto, 2007

Bernd Becher (1931-2007)

Bernd e Hilla Becher. Novembro de 2004
(© Björn Rantil)

Morreu uma parte da dupla que quis dar aura aos monos da Revolução Industrial

Em fotografia, quando se fala do apelido alemão Becher nunca se fala só de um nome, fala-se de dois: Bernd e Hilla, marido e mulher. Mesmo quando o assunto é a morte de um deles (há pouco mais de um mês, Bernd, aos 75 anos, não resistiu a uma operação ao coração) torna-se difícil isolar acontecimentos, passagens da vida, opiniões, pormenores, que digam respeito a apenas uma parte desta dupla de artistas que andou a maior parte da vida nos locais mais inóspitos de grandes cidades e zonas industriais. Objectivo único: fotografar depósitos de água, tanques de gás, passadeiras de areia, altos-fornos, moinhos, armazéns, elevadores e torres de carvão, silos, casas de trabalho, refeitórios, fornos de cal e fábricas de cascalho... (o texto completo está no P2 de hoje aqui)

»»O depoimento de Maria do Carmo Serén, historiadora e colaboradora do Centro Português de Fotografia, está aqui.
»»O depoimento de David Santos, professor e crítico de arte, está aqui.
»»O depoimento de Sérgio Mah, comissário do PHoto España, está aqui.

»»O post Um encontro com a exposição Typologien Industrieller Bauten (Tipologias com edifícios industriais) está aqui.

Bernd e Hilla Becher, tanques de gás, 1963-1997, 2003
(cortesia © Colecção Ellipse Foundation)

 fotografiafalada

Alturas de Barroso, Serra do Barroso, Agosto de 1981
(© Georges Dussaud)

O fotógrafo movimenta-se, observa, pára, retoma o passo. Às vezes surgem-lhe quadros assim: esta menina parecia saída do imaginário do Lewis Carrol. E há o cão logo por trás dela, a bocejar. Foi tudo muito instintivo. Tive a felicidade de conseguir esta composição captada neste instante. Cinco segundos antes, o cão não estaria nesta posição, a abrir a boca. Mesmo a textura do muro ajuda à composição.

(Georges Dussaud)
Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007


Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia

Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

08 agosto, 2007

4-1=3

Uma instalação de Luísa Cunha exposta em Serralves
(Enrique Touriño)

E à quarta edição do Bes Photo há mais um artista a recusar-se participar no prémio. Luísa Cunha, uma das quatro escolhas do júri de selecção, prefere ficar de fora da fase final do maior galardão de fotografia atribuído em Portugal, ficando a concurso Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares. Paulo Nozolino e a dupla João Maria Gusmão/Pedro Paiva também já tinham recusado entrar no prémio em edições anteriores. Vanessa Rato dá mais pormenores sobre o Bes Photo 2007 no Público de hoje.

Luísa Cunha tem actualmente uma exposição no Museu de Serralves, no Porto. O texto de apresentação da mostra diz o seguinte:

"Luísa Cunha (Lisboa, 1949) é uma das artistas mais singulares e inovadoras do contexto artístico português. Revelada na década de 90, a sua obra tem-se desenvolvido em diferentes media, como a escultura, o som, a fotografia e o vídeo, mas partindo sempre de enunciados linguísticos. Esta exposição, exibindo uma parcela considerável da sua obra vem finalmente permitir um confronto do público com as várias vertentes do seu trabalho e com a diversidade dos seus processos criativos, bem como um inédito confronto entre as próprias obras que foram sendo exibidas de modo avulso ao longo dos últimos 15 anos."

07 agosto, 2007

para Paris

Pierre et Gilles, Os Cosmonautas, 1991

Luís Maio esteve recentemente em Paris para ver duas grandes retrospectivas de fotografia: Double Je, da dupla Pierre et Gilles; e La Revolution dans L`Oeil, de Alexander Rodtchenko.
Na primeira encontrou "retratos fantasistas e excessivos, com uma declarada queda para o kitsch e a derisão, que se oferecem como antídoto para a amargura do mundo contemporâneo". Na segunda deslumbrou-se com imagens de "rostos em grandes planos excessivos, hipercontrastados e geometrizados", de "grandes desfiles militares e desportivos perspectivados em picados vertiginosos, de prédios de habitação, postes de alta tensão e torres de rádio em contrapicados tão ou mais alucinantes".

O texto sobre Pierre et Gilles está aqui e sobre Alexander Rodtchenko aqui, ambos publicados no P2.

Alexander Rodtchenko, A escada, 1930

Pierre et Gilles: Double Je
Jeu de Paume
1, Place de la Concorde, Paris
Tel.: +33 (0) 1 47031250
De ter. a dom. das 12h00 (10h00 aos fins-de-semana) às 19h00
Até 23 de Setembro

Rodtchenko Photographe: La Revolution dans L’Oeil
Musée D’Art Moderne de La Ville de Paris
11, Avenue du Présidente-Wilson, Paris 16e.
Tel.: +33 (0) 1 53674000
De ter. a dom., das 10h00 às 18h00 (até às 20h, sex. e sáb.)
Até 16 de Setembro


entre aspas


(colecção particular)

Além disso, a sua visão enfraquecia a olhos vistos. Passou a andar sempre com óculos de lentes azuis e verdes e precisava que o filho da sua governanta lesse para ele. Uma fotografia tirada na década de 1870, a única que mandou fazer, mostra-o com um rosto voltado para o lado, pois os seus olhos doentes, como ele escreveu, desculpando-se, às sobrinhas, piscavam demasiado se tivessem que olhar de frente para a objectiva.

W. G. Sebald, Os anéis de Saturno, ed.Teorema

Malhão#Vale#Soares

D. Carlos
(© Eurico Lino do Vale)

Daniel Malhão, Eurico Lino do Vale e Miguel Soares são os candidatos à 4ª edição do Prémio BES Photo, o mais importante galardão na área da fotografia em Portugal.
O júri de selecção foi composto por Albano da Silva Pereira, director do Centro de Artes Visuais de Coimbra, pelo artista José Luís Neto, vencedor do BES Photo 2005, Leonor Nazaré, curadora do Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão da Fundação Calouste Gulbenkian, Nuno Crespo, crítico de arte, e Ricardo Nicolau, adjunto do director do Museu de Serralves.

A selecção dos artistas teve como base as exposições realizadas entre 1 de Julho de 2006 e 31 de Julho de 2007.

:Daniel Malhão: pela exposição Título (Galeria Vera Cortez - Agência de Arte)

:Eurico Lino do Vale: pelos Retratos dos Túmulos dos Reis de Portugal (Galeria Carlos Carvalho)

:Miguel Soares: por uma exposição individual (Galeria Graça Brandão)

Os trabalhos dos três artistas seleccionados vão poder ser revistos no Museu Colecção Berardo em Março de 2008, altura em que o júri de premiação seleccionará o vencedor. Em 2006, o júri atribuiu o prémio a Daniel Blaufuks. José Luís Neto (2005) e Helena Almeida (2004) foram os outros vencedores. O BES Photo, este ano patrocinado pelo Banco Espírito Santo em parceria com o Museu Colecção Berardo, é o prémio de fotografia com o valor pecuniário mais avultado em Portugal - 25 mil euros.

»vejamos»» [as sugestões dos leitores]

Numa janela do nº 911 da Avenida Prestes Maia
(© Júlio Bittencourt)

»»David Clifford, sempre atento, notou que o blog já não era actualizado há uns dias e sugeriu um post sobre o prémio Leica Oskar Barnack 2007.
E o vencedor é: Júlio Bittencourt, fotógrafo brasileiro de 26 anos. Bittencourt venceu o galardão com um trabalho a que chamou Numa janela do nº 911 da Avenida Prestes Maia, um conjunto de retratos de sem-abrigo que vão passando por aquela morada da baixa de São Paulo.
Depois de ter sido ocupado por uma organização que protege os sem-abrigo, o edifício oferece um telhado a mais de 1200 pessoas. Júlio Bittencourt “aproximou-se das pessoas como fotógrafo, mas sem forçar a situação naquela que é a sua casa”, refere um texto divulgado no site da Leica. Com “uma composição muito formal”, Bittencourt captou habitantes em cada uma das 364 janelas do prédio onde se revelam também duas realidades: o abrigo e o relativo conforto dos interiores; a dureza e o desconforto do exterior, bem patente na escuridão e degradação das fachadas. Segundo o mesmo texto da Leica, o novo governador de São Paulo quer livrar-se do problema social dos sem-abrigo no centro da cidade e planeia despejar o edifício.
O júri do Leica Oskar Barnack Award 2007 foi constituído por Agnès Sire (directora da Fondation Henri Cartier-Bresson, Paris), François Hébel (Encontros de Fotografia de Arles), Hans-Michael Koetzle (Leica World), Brigitte Schaller (Leica Fotografie International), Gaëlle Gouinguené e Gero Furchheim (Leica Camera Group).

Para ver um slide show do trabalho vencedor clique aqui.

03 agosto, 2007

Candida Höfer

Biblioteca Nacional de Lisboa II, 2005
(© Candida Höfer)

(extracto da entrevista do catálogo Procurar Portugal 1994-2006)

Anabela Mota Ribeiro: Esteve em Portugal por algum tempo a fazer esta série tão forte. Como escolheu os locais?
Candida Höfer: Da maneira habitual, lendo, perguntando aos amigos e procurando por mim mesma.

O que há em comum em locais tão diferentes como os Jerónimos ou a Casa da Música? Aparentemente nada... Procurou heterogenidade acima de tudo?
Achei-os ambos em Portugal. Acho que isso diz alguma coisa sobre Portugal, não lhe parece?

Ouvi muitos portugueses dizerem que nunca pensaram que tais lugares fossem assim tão bonitos quanto as fotografias mostraram.
Há sempre uma diferença entre a imagem e o que chamamos de realidade. Às vezes as pessoas esquecem-se disso quando se deparam com o meio fotográfico. Trata-se de um mal-entendido histórico sobre esse meio.

Provavelmente uma das fotos mais inusitadas é aquela em Mafra, com os veados empalhados nas paredes. Para mim representam um elemento morto... Foi essa a sua intenção?
Provavelmente é a única foto em que vejo isso. Em outras algum elemento de tragédia.
Eles estavam lá. Faziam parte do que criou aquele espaço. Tragédia? Não sei. Tragédia é sempre a visão consciente da falha e a sua aceitação, não é? Acho que é mais como uma comédia: vemos algumas contradições onde os seus criadores não as suspeitaram.

A disposição da luz, da mobília e dos objectos indica uma "mise en scène". Acha que é uma espécie de directora teatral?
Não enquanto estou a fotografar, mas talvez quando estou a criar a imagem a partir da fotografia.

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cultura factor 40

Teatro Nacional de São Carlos V, Lisboa, 2005
(© Candida Höfer)


Procurar Portugal 1994-2006
Candida Höffer, Hannah Collins, Rineke Dijkstra

Museu Municipal, Faro
Até 30 de Setembro

arbus + woodman

Francesca Woodman, sem título, Providence, 1976
(Cortesia George e Betty Woodman)

Por ocasião da publicação do livro Francesca Woodman e do lançamento do DVD Fur - Um Retrato Imaginado de Diane Arbus, Bruno Horta escreveu há dias no P2 um artigo onde aborda algumas coincidências que unem as duas fotógrafas americanas. Horta falou com Maria do Carmo Serén, historiadora e colaboradora do Centro Português de Fotografia, e com Shelley Rice, professora de Estética da Universidade de Nova Iorque, para tentar enquadrar melhor o percurso destas duas mulheres fotógrafas, ambas atormentadas por fantasmas, ambas suicidas.

Francesca Woodman, da série From House, Providence, 1976
(Cortesia George e Betty Woodman)

Francesca Woodman, sem título, Boulder, Colorado 1976
(Cortesia George e Betty Woodman)

02 agosto, 2007

 fotografiafalada

Alturas de Barroso, Serra do Barroso, Agosto de 1981
(© Georges Dussaud)

É o almoço na debulhada. Estava a fotografar desde a manhã, há um momento em que vi pessoas a colocar uma toalha branca e… 12 pratos. Só descobri isso depois – e achei formidável –, que simbolizava a Última Ceia. Sobre a toalha havia pão e vinho. Tive a sorte de subir uma escada e tirar esta fotografi a picada sobre a cena. É verdadeiramente uma ceia de Cristo.

(Georges Dussaud)
Depoimento recolhido por Sérgio C. Andrade, Público, 23.07.2007

Retrospectiva de Georges Dussaud
Centro Português de Fotografia
Campo Mártires da Pátria, Porto
De ter. a sex., das 15h00 às 18h00. Sáb., dom. e feriados das 15h00 às 19h00
Entrada livre
Até 16 de Setembro

Antonioni

Antonioni durante a rodagem de Blow Up

Em BLOW-UP (Michelangelo Antonioni 1912-2007) a fotografia sai da película da bobine para o grande ecrã.


Thomas (David Hemmings) fotografa Verushka (Veruschka von Lehndorff)

01 agosto, 2007

Homai Vyarawalla

Homai tem hoje 93 anos

Homai Vyarawalla é um nome que não nos diz nada. É o nome de uma mulher, uma mulher indiana que convém conhecer melhor, pelo exemplo de coragem e empenho na profissão que decidiu abraçar. Foi a primeira mulher a trabalhar como fotojornalista quando a Índia ainda era uma colónia britânica e as regras sociais não favoreciam particularmente o seu género. Registou uma boa parte da história do seu país. Andou pela Índia rural, registou os tempos coloniais e assistiu ao nascimento e crescimento de uma nova nação. Na última Pública João Grama levanta um pouco do véu do percurso de Homai Vyarawalla, depois de ter lido o livro Camera Chronicles of Homai Vyarawalla (Mapin Publishing), de Sabeena Gadihoke.


Homai a trabalhar

 
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